Sevandija

E SE a salvação - com S maiúsculo de senhor, sexo, soldado e solidão - vier suja de dormir na rua, fedendo a mijo, febre, fumaça e álcool, olhando com cara de nojo pro cheiro de lavanda da tonelada de Bom Ar que disfarça a pouca bosta que você é, ela AINDA vai ser a salvação?

Sobrevivência do Mais Apto a Correr Antes

Cabeça vazia é a oficina do diabo, mas a cabeça cheia de tudo que é nada é coisa fina, tipo o MARTELINHO DE OURO do Cão! E todos nós nos espantamos - digo eu com voz de você - com a quantidade de gente disposta a jogar bafo com bilhete premiado.

- Hey, é o único jogo que tem nessa cidade!

O pensamento vivo de Bodie Broadus



- Estes são os peões. São como os soldados. Eles andam assim. Apenas uma casa de cada vez, exceto quando lutam. Eles são a linha de frente, partem para o campo.
- Como se torna um rei?
- Não é desse jeito. Olha. O rei é sempre o rei, certo? Todos dependem dele, exceto os peões. Agora se um peão conseguir chegar do outro lado do tabuleiro, ele pode ser uma rainha. E como eu disse, a rainha não é nenhuma biscate. Ela se movimenta pra todo lado.
- Está bem, então...Se eu chegar do outro lado, ganho?
- Se encurralar o rei do outro, ai é que ganha.
- Mas se chegar do outro lado, viro chefão.
- Não, não é assim, olha. Os peões cara, no jogo, morrem depressa. Eles saem do jogo mais cedo.
- A não ser que sejam espertos pra caralho.

- Tenho feito isso há muito tempo. Nunca disse nada pra nenhum tira. Eu me sinto velho, tô nisso desde que eu tinha 13 anos. Nunca errei nenhuma conta, nunca roubei produto, nem fiz nada que não me mandassem fazer. Sempre fui direito. Mas o que eu ganho? Acha que se a merda feder pra mim, eles vão dizer: "Pô, é o Bodie. Ele é firmeza. Temos que pagar um advogado e a fiança." Eles querem que eu fique do lado deles, mas cadê eles, quando deviam tá do nosso lado? Quando a merda fede, e tudo vai pro inferno, cadê eles? Esse jogo é uma trapaça, cara. Somos feito umas vadiazinhas num tabuleiro.
- Peões.

ROYAL HEAD WALK


"Cavalheiros, a vida é breve... Se vivemos, vivemos para andar sobre a cabeça de reis." Shakespeare (Henrique IV)

Nem tão super nova

Horóscopo de sexta: o universo, grande pra cacete, estará alheio ao que você fizer ou deixar de fazer - o que não o impede do mesmo te zoar caso valha a pena. Marte se alinha com Vênus em uma conjunção galática conhecida como PACAU, obstruindo a vista dos astros para o pálido ponto azul c̶h̶a̶p̶a̶d̶o̶̶ de Sagan. Aproveite o zodíaco fazendo a egípcia e meta a bica em algo que mereça ser chutado - ainda que seja sua própria bunda.

Ô fia!


Já achei que a raiva era forte o suficiente pra começar um incêndio. Depois, para acender um cigarro. Hoje acho que tá mais pra uma luz de tela de celular. Nesse campo - #nãomanja -  conto também com 13 amuletos CONTRA qualquer tipo de superstição, todos funcionando muito bem para alimentar meu desespero cético e tristemente racional.

you blink and you look like hell

E a profecia dos Maias (Tim, Eça de Queiroz (sic), Lúcio) diz que um deus moleque - o equivalente ao SACI no panteão galáctico - pegará a Terra como bolinha de gude pra jogar BULICO em um buraco negro, OBLITERANDO qualquer patifaria pretensiosa da crosta terrestre. Tenho pouco ou nada a ver com jogos divinos ÀS GANHAS, sou horrivelmente humano indo de um rabisco a outro fazendo careta e rindo alto com a cabeça levemente inclinada pra trás quando me APRAZ. Pessoalmente, prefiro as previsões que envolvem números redondos, naipe Nostradamus e seu pote de d̶r̶o̶g̶a̶s̶ERVAS ADIVINHATÓRIAS. Nomá, que sé yo, boludo? Que a bola branca vá pra caçapa junto com a oito e desce mais uma ficha pra melhor de 3.



Ceci n'est pas une BRISA


Não tem glamour de uma estação no inferno, meu bom jovem - pra virar alcatra na grelha de Satã é necessário mais talento, mais audácia, mais francês fluente. O céu vermelho não é o apocalipse que te faria a última entre as gerações, é só um flerte entre o calor insuportável do trópico (esse sim infernal) e o prisma maldito de uma crosta voadora de poluição. A lentilha pra engolir antes das resoluções de fim de ano que, se derem certo, não vão mudar nada, estarão lá te esperando de roupa branca e sorriso amarelo. Numa adoração com gosto de arapuca, convocamos os deuses para a terra para lhes dar o agridoce gosto da banalidade, vestindo-os de gente sem graça e superando-os por ter mais experiência nesse campo.

GREEN LIGHT, GREEN MIND

O AVISO é o mesmo que sempre vem de antemão: é coisa típica de gente esquisita de jeito estranho, que tropeça por aí com a alma olhando o corpo de SOSLAIO, e o corpo não batendo com a roupa, e a roupa fazendo stage dive na cara da sociedade. MAS dá também pra esquecer isso tudo no bolso de uma calça que vai direto pro cesto pra lavar. Porque é mais fácil e tranquilo meter o dedo na ferida - a dor conhecida é companheira também, como não? - do que a mão na consciência (sem massagem, jão) e o ouvido no coração (eletrocardiograma auricular). Por aqui já reclamei, já conjurei, já quase cai e já esqueci; chegou a hora do silêncio-sorriso de gratidão, da euforia do abraço preguiçoso e do olho com luz própria só pra imitar o raio verde.

I kneel before the green light
Of her singing crayon eyes
And then I kiss her stomach
And it's then I realize:
Her light is the night
I'm not blind, I believe in you
I see a green light
I see a green light
I see a green light


things change overnight


31 flavors



Eu luto (e o meu luto de camisa preta do Black Sabbath)  pela feição TRUE dos meus desenhos, meio que um Gepeto de madeira  tentando uma criação de tudo QUE NÃO carne, tudo menos carne. O ser, o saber, o foder - what urge will save us now? O inquisidor  tenta arrancar verdade entre pedaços questionando um ponto de interrogação e está mais preparado pra morrer do que pra matar.

Já de camiseta trocada, ele apara a barba e sente o ar frio na cara, suave como um tapa consentido previamente. O amargor do café atropela a doçura do chocolate na boca um sorriso que antecede uma satisfação desbocada – um puta que pariu positivo – se forma. O silêncio de dentro balança antes de se balancear com o ruído de fora. Distraído, ele nem
 ouve uma voz grave que é chutada pelo pé de vento: - "Come on,chicken" she laughs and we go in and stand with the icecream people.None of them are cursing or threatening the clerks. There seem to be no hangovers or grievances.
 

corridão a assobios




O silêncio intelectual faz arruaça, mas não o bastante pra sequer arranhar a quietude monolítica, um cobertor translúcido cinza claro de trama larga que cobre tudo e garante que a paz do céu seja mantida APESAR de tudo que acontece por debaixo dos panos.

O ouvido se compadece da boca, obrigada a cuspir  impropérios contra a tirania dos verbos, a palavra que devia  ser seu domínio sobre o mundo agora é acompanhada por um sonoro PFFFFF. A boca sente pena desses pobres diabos em forma de orelhas, uma antena parabólica infernal condenada a ouvir o que não quer em um purgatório acústico que só faz duplicar os pecados sem nunca mencionar salvação.

Tá lá um corpo estendido no chão!

entre as poças da vida


A ideia foi anotada já meio morta, não pra ser lembrada depois e sim pra ter certeza de se livrar daquele peso de uma vez por todas!E que se transforme toda essa prosa furada em um almoxarifado mental que F A T A L M E N T E padecerá em uma queima de arquivos e neurônios. Tal proceder moribundo foi DESOVADO com requintes de crueldade, sendo reconhecido apenas por marca de nascença.

Elevator Wit




Minha cabeça está cheia de gente que nunca existiu, sussurando aos berros vidas e obras eternas por falar gritando com o silêncio presente em todos nós. Seus autores, gigantes em seu desterro por serem tão pequenos e tão menores que tudo aquilo sentido e concebido do interior para o infinito, sofrendo as dores do parto de mundos que não existem apenas por simples detalhes, sejam esses detalhes a perfeição de ritmo, da loucura vivida ou da virtude sonhada. A vida é anedota ongoing em prosa cuspida e escarrada.


Num raro momento de lógica nessas linhas (a sinceridade é amiga, mas a coerência sempre fugiu do meu lápis como um diabo medroso foge de uma cruz banhada em água benta) digo no meu próprio ouvido, em bom tom e sem confete: desenho a vida em garranchos sem precisão - meus herois tem na arte sua espada, eu só tenho desculpas e sorrisos de canto de boca - e desfio textos que são como atestados autenticados de falta de como proceder perante as letras. Sem trunfo nem fator mutante, sorrio quando percebo quanta suadeira é necessária pra manter no mínimo uma postura reta e uma mente clara.

olhar meio blasé (caolho)

desenhar olhos = cliché



Confiro de janela a RODA VIVA que gira piões e mundos.. Ela tenta me dizer alguma coisa que sou burro demais pra entender, algo como um ciclo bem redondinho de vida e morte, a dificuldade de encontrar a tangência e o ponto médio, e a enorme possibilidade de renascer como um grande e gordo BOMBAIM em outro tempo. Na verdade, ACHO EU que é questão de desaprender algumas coisas, como a regra da ordem das operações matemáticas, que sempre deixa a subtração por último. Não dá pra aprender a diminuir antes de tentar somar ou temos que empilhar sinais de mais até o alto do pé direito? Ou desatentar para o que quer porque quer nos chamar a atenção na marra. SE BEM QUE subtração e desatenção são os melhores conselhos que eu posso dar, e isso pode não servir a ninguém, mas diz muito de mim.

Esqueça o verniz social, dê uma chance ao SOLVENTE nas relações em que exigem mais tinner do que bons modos. A cortina sobe e o ato é de um Nosferatu moderno que queima de desgosto por ver seus pares vampirescos brilhando feito pisca-piscas de um natal desgraçado ao invés de arder com dignidade sob o sol. A palavra de J.C é sábia e diz que isso é um trabalho para o AQUÉM, não o além. Abraço!

Olhaí

What you get and what you see


Eu até tentei, juro, ser coroado como o
famigerado Rei De Mim, mas a província
em questão deu de ombros e disse:
"Mim quem, cara pálida?"
Fiz as contas, contei mais cicatrizes que
vitórias e deixei baixo. Pra que ser soberano
de uma alegria fantoche se meu sorriso faz
parede e está aberto sem corda ou roldana? 


Toda vela rumo à borda do mundo, meus
caros bucaneiros! Tão falada, tão cantada e nunca
vista, mas ainda assim mais segura que esse mar que,
TREMENDO, sequer cogita notar presença alguma.
Entre a cruz e a água benta, embrulhe seus problemas
 em sonhos. 

Cave! Cave!



Olhos bem abertos e espertos às fendas da mão que cobre a
 cara que não quer ver pra morrer de curiosidade, fica a
 pergunta: tu quer o teu nome gravado com letras de VELUDO
 COTELÊ nas páginas da história, um relato fofo e confortável
 de como é que se faz? Escute o reverendo:


A mão em carne viva e o sorriso imbatível & abatido 
é a honra ao mérito do remador que só aceitar ser encontrado 
boiando rio acima. O realismo mágico vive, só não é assunto 
pras pupilas saírem caçando por aí.

trato!

não o que é visto


Será  digna de HOORAY! a manha de ir fazendo as coisas meio que 
no susto, toda essa linha reta que depende de paredes em volta para
ir catando cavacos e caindo pelas tabelas? O dom de prever um
dejà vu só estraga a surpresa, além de não servir pra grandes coisas.


Eu poderia jurar que vi um mendigo de sucesso usando um sabre
 de luz como bengala só de zombaria, como se a força fosse pros fracos.
 Se me pedirem pra estender o juramento até onde a miopia alcança,
 eu juro de pé junto (sic) que passei uma vida curta bem vivida e mal
 dormida no ônibus essa manhã antes de escrever toda essa bobagem
 que vos fala (falha?). Complicado.

He acts the hero. We paint a zero.

muppet


Não tá calor, mas não faz frio. E o morno, segundo
o livro sagrado, é cuspido pelas altas patentes. Tudo
pronto para se virar no escarro celeste? É assim que se
 adquire aquela normalidade tão esquisita que acaba exigindo
 um gole de cicuta vez ou outra para acalmar a tremedeira?

Então feche o corpo com tatuagens, feche a cara
com desdém, feche a porta e a janela sem convidar
o mundo pra entrar - só não vá perder o seu molho
de chaves e mantenha-se sóbrio o suficiente para
acertar a fechadura. Fechado?

I drive

 
say wha?

Eu achei que sabia, depois duvidei e agora pode ser assim
mesmo - vem pro pé! Uma geração inteira me dá sinal de nada,
mas chamo pra mim sem intenção de fugir. A barra está pesada,
mas topo a parada, não sou corredor.


O brado do bravo permaneceu quieto por ter
 medo ATÉ de gritar? Que não seja o caso! A mão
é ruim, mas o sorriso é largo e o peito ainda
 infla: o facão brilhará até deixar a glória
 vermelha com tamanha cara de pau.

the searchers

hangin'


Hoje iluminaremos a noite à moda antiga: o
geocentrismo pessoal foi considerado culpado e
queimado na fogueira! Ainda que todas borradas
com cores próprias, sai do peito e vai pro papel
as linhas gerais que não conseguiram fugir a tempo.
E a estranheza no olhar, olhe só, é cortesia da casa.


E a valentia final, quando o protagonista dá
meia volta da fuga e encara sua própria falta
de heroísmo? Tá todo mundo pronto? Que
arriscar se perder pra tentar se achar seja
a bravura maior! (mesmo que seja sob os olhos
desse céu sem cor que desconhece e/ou ignora
qualquer tipo de solução)